Publicado por: aricostajunior | março 25, 2009

Sou Baiano.

Quando eu conheci Jorge Amado em Paris, ele me levou para almoçar num bistrô perto do seu apartamento no Marais. Ao longo do caminho, fiquei pensando em algo bem inteligente para impressionar o grande escritor. Ao sentarmos à mesa ele disparou: ‘Nizan, você já reparou como a bunda da mãe Cleusa é grande?’

A Bahia é assim. Desconcertante. Pense num absurdo, multiplique por dois: na Bahia já aconteceu.

Há em Salvador uma casa funerária que se chama Decorativa e uma companhia de táxi aéreo que se chama BATA (Bahia Táxi Aéreo). É dentro deste espírito esportivo que a Bahia surpreende desde 1500.

Caetano Veloso me disse rindo que os baianos e os judeus se julgam raças eleitas e (sic) que ambos têm razão. Se somos ou não raça eleita, há controvérsias. Mas que é uma raça privilegiada não há dúvida. Castro Alves, Rui Barbosa, Jorge Amado, Assis Valente, João Gilberto, Caetano, Gal, Gil, Betânia, Daniela Mercury, Glauber Rocha, Dorival e Nana Caymmi, Raul Seixas, Ivete Sangalo e agora Piti.

Não pode ser coincidência. E não é. É fruto da energia que o índio enterrou e que o português descobriu misturado com o axé que o negro trouxe. É essa energia que buscam os cansados, os estressados, os sem esperança, os de alma ou cadeira dura.

E a Bahia os escolhe com sua graça e sua benção. Dianne Vreeland diz na peça Full Gallop, grande sucesso na Broadway, que o azul mais bonito é o céu da Bahia. Tudo na Bahia tem luz, sobretudo as pessoas. Que em sua simplicidade, com sua fé, com suas peles negras e dentes alvos, dançam, cantam e iluminam um mundo rico, mas cada vez mais pobre.

Um desses endinheirados, mas pobre de espírito, certa vez resolveu pegar no meu pé, numa festa, e me perguntou: ‘Se a Bahia é tão boa, porque você não mora lá?’. O Orixá me ajudou e eu respondi na lata: ‘Porque lá não me destaco, todos são baianos.’

*Texto de Nizan Guanaes resposta ao Prof. da Ufba

Publicado por: aricostajunior | junho 13, 2007

Como o negro é visto no livro didático

   Como Deve sentir-se um aluno, que ao abrir o seu livro didático não se vê ali representado? Ou é marginalizado na história do seu próprio país, e que nada construiu, a não ser pelo seu trabalho braçal?Durante muitos anos, a nossa educação foi pautada numa estrutura que não contemplava todo brasileiro, pois grande parte da população enxergava-se no modo contrário do que queria ser visto. Negro ou afro-brasileiro tinha a sua parcela como um ser escravizado que exercia o trabalho fatigante, e perdia a forma de suas contribuições para a formação do nosso estado brasileiro em todos os aspectos. Essas idéias foram construídas através da visão etnocêntricas do povo branco que “construiu mentalmente” o nosso país, fortalecendo a marginalização do negro na estrutura social que a prevalece sobre o Brasil e o mundo.  Historicamente essa visão foi idealizada pela elite brasileira do século XIX, que com as lutas abolicionistas e republicanas ficaram preocupados com a ociosidade deste contingente, temendo assim revoltas e levantes contra o império e ou república. Sendo assim está minoria dominante procurou mecanismo para controlar o acesso da dessa maioria aos bancos escolares. Segundo Ana Rita Santiago, em seu artigo Lei 10.639/03: Por uma educação anti-racista e antidiscriminatória: “O Brasil-colônia, império e república teve historicamente, no aspecto legal, uma postura ativa e permissiva diante da discriminação e do racismo que atinge a população afro-descendente brasileira até hoje. [...] O decreto nº. 7.031-A, de 6 de setembro de 1878, estabelecia que os negros só podiam estudar no período noturno e diversas e estratégias foram montadas no sentido de impedir o acesso pleno dessa população aos bancos escolares”. Ao longo dos anos, essa postura do estado culminou numa sociedade desigual, pois a igualdade social não era o tema mais importante para o poder público. Que tentava garantir que a “primeira abolição” não fosse satisfatória, fazendo com que o negro saísse da senzala e foi direto para a favela e ou para cela.  Dessa forma os negros já não mais escravizados continuariam exercendo serviços parecidos com os do século passado, continuando em sua maioria excluído dos ambientes acadêmicos. No início desta década os movimentos da sociedade civil organizada, continuaram lutando para garantir o acesso de estudantes negros (as) e afro-descendentes nas universidades. Tentando romper com essa barreira discriminatória e ciclo vicioso criado pelo estado, de manter este povo a margem da sociedade tendo a perspectiva de uma acessão social. Hoje depois de muitos entraves e debates, a política de cotas receasse danos quase que irreparáveis. A formação desses novos pensadores irá caracterizar a democratização do ensino e a imagem dessa camada nos livros didáticos, já que é na universidade que deve ser pensada e formada a estrutura da sociedade.Porém na sala de aula e nos livros didático está representação rotulada continua sendo reproduzida, perdendo a noção de como estás práticas são maléficas para alunos que ainda não tenha uma linha de vida traçada e programada. Desde o início da gestão deste governo que se comprometeu com os movimentos sociais, a lutar incessantemente pelo fim desta visão e práticas, foi aprovado mecanismos para coibir estas ações, pois no dia 09 de janeiro de 2003 foi aprovada e promulgada a lei Nº. 10.639/03, que garante o ensino da história da África, dos africanos no Brasil, e dos afros brasileiros em sala de aula.Poderia dizer-se então para nossos alunos que essa compreensão já havia sido feita com aprovação e que eles agora passariam a ser compreendidos dentro da história. Entretanto como quase todas as leis no Brasil, ela foi aprova e promulgada, apesar do estado não dá mecanismo para esta lei serem executada, pois não foi dirigido a nenhum instrumento do estado para que a mesma fosse implementada. Também não foi instituído quem capacitaria os professores, já que pouquíssimas instituições de ensino superior no país oferecem ensino de matérias africanas e dentre as que ensinam em sua maioria as matérias são optativas.A preocupação maior desta capacitação acontece pois, a visão que a maioria dos livros fazem da África é a retratação de um país e não de um continente, excluindo a história dos seus reinos e impérios soberanos. Outra variante ainda é o assunto do negro brasileiro, que é estereotipado construído pelas estruturas de poder a partir da idéia da: Escravidão, Abolição da Escravatura, e da representação em figuras com o perfil branco sendo negro, o tão conhecido “mulato” brasileiro, é por não ver o igual a ele que boa parte dos alunos desvirtuasse do objetivo acadêmico.Os avanços feitos pelo governo, não foram de tão ampla magnitude como nos precisamos, pois todos estes materiais que chegam aos nossos jovens precisam ser revisto e reelaborado para que realmente possamos ter o reconhecimento como protagonista da nossa própria história. Para que a sociedade brasileira não veja o negro como o beneficiado de ações filantrópicas, e que o dito futuro da nação comece realmente ver dentro de suas salas de aula a participação na formação do país. Estás medidas irão fazer com o povo passe a ver, o dia 20 de novembro e o 13 maio com outro olhar. Dias diferentes, porém ambos com lutas do povo negro, que tem o total direito de entrar para a história do jeito que merece ser vistos.Percebendo é claro, que maiores avanços deverão ser feito, para reparar todos estes danos causados por minoria que durante muito tempo tentou afastar essa imensa parcela da população do mérito quanto povo brasileiro, formador de opinião e tão brasileiro quanto qualquer outro.

Publicado por: aricostajunior | junho 9, 2007

Resenha, Atlântico Negro: nas rotas dos Orixás

O documentário Atlântico Negro: nas rotas dos Orixás, é um filme que retrata a importância do continente Africano na construção da sociedade brasileira. Esta estruturação cultural mostra a semelhança existente entre estes povos, dentre estes laços: a religiosidade, a musicalidade, a fala, hábitos alimentares, a estrutura familiar e as manifestações culturais.
Durante as cenas do filme são desconstruídas visões etnocêntricas e de censo comum sobre o continente Africano. A idéia de um território que vive em constante estado de guerras étnicas e civis, de fome e total miséria é desmistificado para mostrar o lado cultural da África que deu origem ao candomblé, o Xangô e ao Tangô, religiões presentes no território brasileiro. Essa representação cinematográfica nos dimensiona a entender o início da mercantilização africana e de como a escravidão se tornou uma mera desculpa para a propagação das guerras civis, iniciando assim um intercâmbio biológico, econômico e cultural entre Brasil e África.
Nota-se, que ter um outro olhar da África nos ajuda a compreender a nossa própria história, tanto nos hábitos sociais, quanto nos costumes oriundos desta terra quase que desconhecida. Tendo a perspectiva que a cultura africana não é a unicamente baseada na história colonial e no expansionismo europeu, a África com reinos e império possui suas formas particulares de governar e agir como povo. A reconstrução da histórica africana nos permite entender como a escravidão se promulgou pelo espaço geográfico e social do Brasil, dissipando as misturas biológicas que originou a miscigenação nacional e a diversidade religiosa presentes nos terreiros de candomblé como o: ilê aié axé opô ofonjá e casa branca.
Todo o tema abordado no documentário, abre um leque de oportunidades para entender melhor a África e o Brasil e conhecer também que existe uma troca cultural entre os dois lugares referidos. Compreendendo que o retorno dos africanos escravizados para o continente de origem, representou também a ida de valores culturais, morais e sociais brasileiro como: a construção da igreja e da festa do Senhor do Bonfim, a construção (mesmo que em pequena escala) da arquitetura brasileira em solo africano e a vestimenta feminina das mulheres agudás. Além de entender que mesmo depois da escravidão, a cultura brasileira continua sendo preservada por este povo que se denominam brasileiros, mesmo tendo nascido em solo africano.
Esta perspectiva mostra a construção de nossas raízes, ajudando a fazer paralelos que melhorem o entendimento dessas aplicações no Brasil. Hoje em pleno século XXI a forma de vida dos afro-descendentes tornou-se uma luta política e social que visa a reparação da escravidão que aconteceu no país. Entretanto, este documentário ressalta a trajetória africana como um continente repleto de etnias e formas de vidas variadas, desconstruíndo a visão eurocêntrica e religiosa da igreja católica que foi desenvolvida na história ao longo dos séculos.

Ari Costa Junior

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